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🔲 A VELHICE CHEGOU 

A velhice realmente é uma droga, e ainda tem gente que se atreve dizer que a terceira idade é o melhor período da vida, coisa e tal. Será por causa das prioridades nas filas, vagas de estacionamentos e nos assentos especiais (que ninguém respeita), além das passagens gratuitas nos transportes coletivos? 

Prefiro mil vezes trocar todas essas "vantagens" por uns quarenta anos a menos na minha idade, para ter disposição física de viajar em pé nos ônibus, trens e metrôs, ou mesmo ficar horas nas filas dos bancos numa boa, sem falar no gozo de outras atividades mais agradáveis que nem lembro mais quais eram.

 Tudo bem que com a idade deixamos de lado os atos impensados que praticávamos na mocidade, e às vezes nos deixavam em sérios apuros, mas que era algo muito bom isso não se discute, oportunidade  em que a adrenalina ficava a mil e a gente não estava nem aí.

Mas agora o que dela restou não é o suficiente para me tirar desse estado senil, e ainda provoca o imediato aumento da pressão arterial, que sobe mais que o dólar americano. 

Para piorar, não tem dia em que não sinta uma dor localizada nas costas, braços, pescoço e nos dentes que sobraram. E os remédios que tomo diariamente? Nossa, perdi a conta, faz tempo! Não passa um mês sem que o meu médico descubra uma nova patologia qualquer, e como isso acontece quase sempre, lá vem ele receitar uma infinidade de novos medicamentos para controlá-la. 

Quanto mais substâncias tomo, mais efeitos colaterais vão surgindo e fazendo que, no fim, precise tomar um antídoto para proteger os órgãos afetados. Tudo isso num círculo vicioso tal, que me faz pensar seriamente em cursar uma faculdade de farmácia, somente para abrir uma para mim e a cara-metade. 

De tanto ela me levar aos hospitais, ficou com inveja e resolveu disputar para saber quem consome mais essa gama de drogas que minam nossas vidas e as economias de uma existência. Qualquer hora vamos vender os nossos parcos bens para pagar a dívida com os laboratórios e os planos de saúde, que aumentam sempre acima da inflação na maior cara de pau.

 Quando vejo o pessoal da terceira idade malhando nas academias, paro e penso a respeito: será que o esqueleto do idoso aguenta o grande esforço a que é submetido? Digo isso, porque tenho um amigo que ao tentar colocar o pijama, tropeçou nas próprias pernas e caiu sobre um tapete macio, e mesmo assim esse prosaico acidente foi suficiente para lhe provocar a fratura do colo do fêmur; que se fez acompanhar de dores atrozes. 

Mas entendo ser um acontecimento previsível, se considerar que com a idade o idoso perde cálcio e os ossos acabam fragilizados, quebrando a qualquer movimento brusco que se faça.

Mas será que os velhinhos nas academias sabem disso? Presumo que alguém deva avisá-los a respeito dessa terrível possibilidade, embora entenda haver uma explicação lógica para isso:  não dizem  que com a idade  as pessoas ficam invisíveis? Acho que é por isso ninguém consegue achá-los para que sejam prevenidos do risco que correm. 
 
O que mais chateia, na verdade, é a falta de memória. Tem hora que não sei em que lugar deixei os meus óculos, mesmo que estejam presos à testa. Também não consigo guardar o número dos telefones dos amigos e até dos filhos. Bateu um breu total e acabado que tomou conta da minha mente, o que me faz ficar mais confuso que o governo do PT. Pelo jeito, daqui para a frente vou continuar descendo a ladeira a toda velocidade e, pior, sem freios.

 
Cronista
Enviado por Cronista em 07/08/2018
Alterado em 07/08/2018
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