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Uma escritora de prestígio


Uma escritora bem sucedida. Tem vários livros publicados, além de diversos trabalhos de peso em revistas e jornais. É também uma boa palestrante capaz de manter a plateia interessada por horas, devido a sua enorme versatilidade e profundo conhecimento. Convites para isso é que não faltam, o que a obriga a viajar constantemente por quase todo o país numa estafante peregrinação. Mas gosta do que faz, e isso é que importa para ela.

Certo vez, quando preparava no computador uma palestra que faria na semana seguinte num congresso de escritores de todo mundo, resolveu navegar um pouco pela WEB para realizar pesquisas que a auxiliassem em sua tarefa profissional. A internet era o lugar ideal com o seu ilimitado banco de dados que se atualizava constantemente. E foi lá que descobriu um site de literatura para escritores entusiastas de vários graus culturais. E mesmo do alto da experiência obtida com a publicação de suas obras, achou que poderia extrair algo de proveitoso em uma área de principiantes nas artes das letras. Não teria nada a perder e poderia até dar algumas dicas aos usuários sobre como escrever com estilo, despertando assim o interesse desses frequentadores.

Então, a partir desse dia tornou-se uma “Recantista”, ao postar textos sobre o cotidiano da cidade em que vivia somente para interagir com os demais “colegas”, e aproveitando para trocar ideias sempre que fosse possível, e ao mesmo tempo e sugerir técnicas redacionais, o que fez que aos poucos se entrosasse e se interessasse com a “brincadeira” que se propusera perpetrar como um simples e prosaico passatempo.

Mas por ser a literatura um vício para ela, acabou se envolvendo completamente, ainda que sem um interesse financeiro. Apenas sentia uma vontade louca de escrever que era impossível de refrear. Uma sensação gostosa que servia, inclusive, para que divulgasse o seu verdadeiro estilo e fizesse alguns comentários sobre os livros que publicara. E como o site permitia a interação dos usuários, inclusive com a troca de críticas das obras postadas, resolveu testar as suas qualidades profissionais e medir o grau de aceitação que seria aferido pelo número de visitas e comentários feitos pelos demais escritores à sua escrivaninha. Até que seria divertido, pensou.

No decorrer dos dias, percebeu que embora o número de leituras dos seus textos alcançasse patamares significativos, a quantidade de comentários sempre ficava muito aquém do total de visitas registradas. O que causaria isso? Poderia ser pelo fato que a maioria não se interessasse em fazer comentários, mesmo que tivesse gostado do que havia lido? Ou seriam outras as causas desse fenômeno?

Após navegar mais detalhadamente pelo quadro geral de leituras, percebeu que os textos colocados nos primeiros lugares possuíam expressivos comentários, tantos quanto às visitas registradas. Como poderia isso ser explicado pela lógica? Afinal, pelo que tinha observado, os atributos de algumas obras conceituadas como as mais lidas, ficavam muito abaixo da sua perspectiva profissional, algumas, inclusive, contendo erros grosseiros de ortografia e concordância verbal, pois além de escritora consagrada era também crítica literária. 

Estava assim diante de um mistério. Qual seria afinal o critério seletivo das pessoas que compunham o quadro de escritores amadores do Recanto das Letras? Tinha que haver uma explicação razoável que justificasse aquela “aberração”, segundo os seus próprios conceitos. Em algum lugar estaria a resposta para os seus questionamentos. Mas... em que lugar?

Sentiu-se até um pouco deprimida por ter sido preterida por “amadores”, ainda que não estivesse disputando nenhum concurso de literatura. Mas o fato dos seus textos não conseguirem, na média, uma boa colocação no rank das leituras, foi o suficiente para que caísse em si e acabasse por descobrir que não bastava escrever um belo texto, com uma redação impecável ou mesmo utilizar técnicas profissionais nessa área, já que o leitor leigo não levava nada disso em consideração, pesando, muitas vezes, a questão de simpatia pelo autor e o modo simples que ele escrevia, mesmo que às vezes com erros crassos e utilizando temas desenvolvidos de uma forma bem popular, com uso de um palavreado acessível e espartano, e contendo temas atuais sem o uso de termos rebuscados, como os utilizados pela maioria dos escritores profissionais.

Daí em diante, em decorrência dessa sua insólita, porém lógica conclusão, ela desceu imediatamente do seu “pedestal”, o que lhe proporcionou um expressivo aumento nas leituras e nos comentários, devido ao uso de um linguajar mais acessível, não obstante impecável em termos gerais.

E essa experiência foi tão gratificante que acabou influenciando o seu antigo estilo conservador, com reflexos positivos em sua vida profissional ao conquistar novos leitores para os seus livros editados a partir dessa singular experiência.
Cronista
Enviado por Cronista em 04/06/2015


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